As saudades do Natal

{Diário de Jimin Kang}

Com a aproximação do Natal, vem a saudade de casa. Mesmo que sem estar com minha família em Hong Kong, o sentimento dessa data é universal. As pessoas ornamentam suas árvores com luzes, a música natalina preenche as estações de rádio, e muitas famílias preparam refeições, trocam presentes e curtem a companhia de parentes antes da chegada de um ano novo e fresco — que provavelmente termina do jeito que começou: junto da família.

Na verdade, não sinto tanta falta da família quanto achei que sentiria quando cheguei no Brasil. Claro, a tecnologia facilita a comunicação, apesar dos 17 mil quilômetros de distância. Mas o fato de ter uma família nova aqui em Salvador me ajuda também, especialmente porque gosto muito de minha mãe e meus irmãos brasileiros (só não muito do cachorro… Tristemente)

A saudade da família “original” aperta mesmo com algumas coisinhas. Entre elas, as plantas do berçário de mudas dos Canteiros Coletivos.

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Há poucos meses, minha mãe desenvolveu um amor pelas plantas. Quando sua amiga lhe inspirou a pôr plantas em nossa casa, então ela começou botar potes verdes na sala, no meu quarto, no seu quarto… Cada novo pote trouxe uma surpresa.

Uma pena eu nunca ter ajudado. Só a assistia regar as plantas. E nada fiz quando ela precisou trocar a terra ou mudar os potes das plantas. Sentia-me completamente desinteressada.  

Antes de chegar em Salvador, minha experiência na Chapada Diamantina me fez descobrir o poder das plantas. Vi como a abundância vegetal em lugares como o Capão, por exemplo, influenciou na tranquilidade da população local. A presença das plantas inspira qualidades lindas nas pessoas, para quem cuida delas ou simplesmente assiste seu crescimento.   

Cada vez que eu passava por plantas nas ruas, pensava no pequeno jardim de minha mãe, que eu nunca considerei “meu”.

Essa foi uma das motivações para eu trabalhar com o movimento Canteiros Coletivos: Se aprender sobre as plantas, voltarei para Hong Kong e ajudarei minha mãe a cuidar de suas lindas mudas. Um dia, gostaria de fazer crescer ervas em nosso pequeno jardim para que minha mãe possa tocar as folhas e sentir perfumes como o do alecrim, manjericão ou hortelã em seus dedos, como posso sentir no berçário. Gostaria de comer refeições feitas com ingredientes de nosso jardim, para que possamos nos conectar através dos sabores das plantas que cultivamos.

Com a chegada do Natal, pego-me pensando mais em minha mãe e seu — nosso — jardim. Mesmo sendo um pouco triste estar tão longe de casa nessa data, é muito emocionante saber que poderei fazer muitas coisas com minha família quando eu voltar.