Carnaval de olhos bem abertos

A retirada indiscriminada de árvores na cidade de Salvador — que há mais de um ano ensaia a elaboração de um Plano de Arborização Urbana mas não o tira do papel — virou até tema de fantasia nesse carnaval.

As propagandas do governo municipal afirmam que milhares de árvores foram plantadas, mas a população não dispõe de nenhum documento ou ferramenta que mapeie os exemplares especificando as espécies, os locais de plantio, e quais ainda vivem (ou seu estado de saúde).

Como monitorar?

Ao contrário das árvores, é muito nítido identificar as novas áreas cimentadas da cidade, cujos canteiros com terra e plantas estão se tornando artigo raro.

Não à toa o prefeito ganhou o apelido de “Acimentinho” entre os que são contra o calçamento excessivo e a falta de uma gestão transparente de árvores e praças.

Em tempo: temos fiscais para coibir a concorrência entre marcas de cerveja no circuito carnavalesco, mas não temos profissionais dedicados e proteger as plantas da cidade e tratá-las para que não adoeçam e morram.

Não temos profissionais suficientes para a coleta regular de lixo, nem adequados para a coleta seletiva.

Não temos profissionais para fiscalizar carros que estacionam nas calçadas.

Para completar, não temos nenhuma contrapartida ambiental para a cidade por parte das empresas que tomam as ruas no carnaval, que deixam seus produtos virarem lixo nas ruas e no mar e que erguem camarotes em locais que deveriam ser áreas verdes.

Resta-nos o bom humor, e a crítica criativa, ao menos para quem quer brincar no carnaval sem fechar os olhos para o que está errado.

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