Lembranças da Praça do Pôr-do-Sol

Hoje o canteirista Kristian Pasini postou no Facebook uma bonita foto de uma de nossas ações na Praça do Pôr-do-Sol, localizada ao lado da Igreja Sant’Anna, no bairro do Rio Vermelho.

Há meses que ela passa por transformações no processo de “recuperação” da orla promovido pela Prefeitura de Salvador. Seu nome foi carinhosamente pensado no início das intervenções de jardinagem feitas ali desde de dezembro de 2012, em parceria com o projeto Bairro-Escola Rio Vermelho, graças à incrível vista que se tem desse lugar durante o verão. Nesse mesmo período, plantamos no espaço 12 mudas e algodoeira de praia e duas de bacupari cedidas pelo então órgão municipal do meio ambiente.

A (re)ocupação da praça sempre foi um desafio porque ela deixou de ser praça há muito para dar lugar a flanelinhas e carros estacionados diariamente por usuários de bares e lojas ao redor, além dos frequentadores da igreja. Mesmo assim, plantamos ali, fizemos intervenções de jardinagem, meditação e arte, e apoiamos edições do Festival Bairro-Escola, que levou escolas, artistas, feira de artesanato e inúmeras atividades de lazer para ressignificar o local e incentivar a comunidade a interpretá-lo como um ponto de encontro e diversão.

Com a nova gestão da prefeitura assumindo seu posto no início de 2012, acompanhávamos os diálogos sobre a reforma do Rio Vermelho, principalmente com apoio do  projeto Bairro-Escola, que tinha o objetivo de fazer a comunidade como um todo interagir com o poder público e opinar diretamente no projeto. Uma das principais preocupações, além de garantir que se mantivessem estruturas de lazer essenciais para a população local na orla, era garantir a participação da sociedade civil em tudo o que dissesse respeito às possíveis  transformações causadas na praça pelas obras.

Não só os Canteiros Coletivos e o Bairro-Escola, mas artistas, estudantes, profissionais liberais  e moradores e comerciantes do bairro já dialogavam com arquitetas e desenhavam juntos um projeto para a praça, na expectativa de que se conseguisse o financiamento de empresários locais. Infelizmente, não aconteceu. E mesmo em contato com o então secretário de Desenvolvimento Econômico, Cultura e Turismo de Salvador Guilherme Bellintani, que na época esteve em encontros com o Bairro-Escola para dialogar sobre as mudanças da orla e da Praça do Rio Vermelho, quando Bellintani assumiu a Secretaria de Educação foi como se todo esse diálogo tivesse deixado de existir.

O ano de 2015 nos trouxe como resultado o cenário da total falta de diálogo da Prefeitura e de sua indiferença com relação às intervenções da sociedade civil na cidade e às boas transformações coletivas que têm sido buscadas em diversos bairros. De uma praça que aos poucos voltava a ser praça, com bancos coloridos, algumas mudas se desenvolvendo, aberta a quem quisesse chegar (já não tinha mais as cercas claustrofóbicas, feias e enferrujadas de antes) o lugar passou para puro barro amassado por tratores, e agora recebe o não menos esperado calçamento que de praxe tem sido colocado em todas as praças da cidade.

Cimento, coqueiros, árvores com copas exuberantes arrancadas, bancos sob o sol escaldante, calçadas imensas sem climatização…. Tem sido esse o cenário de nossos espaços públicos na atual gestão municipal. Ficam as lembranças de lindas ações em uma Praça que saía do abandono e ganhava cores, sons, sabores.

Acompanhe as transformações da Praça do Pôr-do-Sol desde 2012.