Mapeamento Afetivo: Área abandonada no Itaigara virou praça com obras de arte

Confira a primeira entrevista da série Mapeamento Afetivo de áreas verdes transformadas e criadas por moradores e moradoras da cidade de Salvador. Trata-se de uma iniciativa dos Canteiros Coletivos com a proposta de partilhar estratégias locais de ocupação criativa de espaços públicos e inspirar as pessoas a fazer o mesmo próximo de casa ou do trabalho. O levantamento, que busca investimentos, por enquanto está sendo realizado por voluntárixs. A entrevista é de Marie Paul.

Marie Paul: Por que este lugar foi escolhido para ser recuperado?
Mário Amici: Todos os dias, quando eu via esse terreno degradado e abandonado em frente à minha casa, em 2010, pensava que alguém tinha que fazer alguma coisa para mudar o cenário. Uma das principais preocupações ao ocupá-lo foi de impedir que virasse mais um prédio. Queria propor uma apropriação social do espaço.

MP: Como o local é mantido?
MA: Hoje em dia, por conta do tamanho da área, temos um jardineiro contratado, Marquinhos, para fazer a manutenção mais rotineira. A cada dois meses, organizamos algum tipo de evento em que as pessoas plantam flores, cuidam das plantas, instalam e inauguram esculturas, e fazem celebrações como festas de aniversários.

MP: Quais os recursos disponíveis e como são captados?
MA: Contamos com doações do edifício Palácio Itaigara, em que cada família contribui com R$ 30 por mês, o suficiente para pagar o jardineiro. A Prefeitura doou grama. Uma escola doou as lâmpadas. Eu faço questão de doar o que posso também. E recebemos muitos materiais que são reutilizados no espaço. Além disso, temos ajuda voluntária de moradores e moradoras.

MP: Por que a decisão de cuidar de uma área que é pública?
MA: Porque alguém precisa fazer isso em vez de só ficar esperando a Prefeitura. Sou uma pessoa que não gosta de criticar por criticar. Acredito que todos nós podemos mudar o mundo se fizermos um pouco. Tem uma frase bonita que diz: ”Heroi é quem faz o que pode”. A gente pode muito mais do que pensa. Não se muda tudo de uma vez. E sim pouco a pouco, dia após dia, metro a metro.

MP: Como é possível contribuir com o espaço?
MA: Sempre tem alguma jeito. A forma mais fácil de falar com a gente, e de programar uma agenda de atividades, é através da página do Facebook. Também procuramos apoio na comunicação, especialmente nas redes sociais, para chamar mais voluntários e captar recursos.