Mapeamento Afetivo: Em 15 anos, moradora cria uma pequena floresta urbana

Saudade da série Mapeamento Afetivo? Pois aqui vai mais uma área verde transformada por uma antiga moradora de Salvador. Filha de imigrantes japoneses, nascida em São Paulo, a octogenária Myriam Mineco Hirai Okabe vive na capital baiana com o marido há cerca de 20 anos, e tem pelo menos 15 que cuida de uma praça no bairro do Itaigara. Segundo ela, o local é conhecido entre os moradores como Praça da Japonesa. Afinal, a experiente jardineira chama atenção com sua disposição física, plantando e caminhando todas as semanas em seu pequeno oásis verde em meio intensa à urbanidade local. Nossa conversa com dona Myriam foi tão animada, que ela também nos levou para conhecer o jardim de sua casa, há cerca de duas quadras da praça. Confira mais sobre essa história na entrevista a seguir:

Canteiros Coletivos: Por que este lugar foi escolhido para ser ocupado?
Myriam Mineco: Gosto muito de planta. E meu marido trabalhava o dia inteiro na empresa. Eu vendia plantas e fazia artesanato, e dava aula de dobraduras, mas ficava muito tempo sem atividade. Então, juntei uma paixão de infância à ideia de cuidar desse espaço esquecido. Eu ia cuidar de um pedaço da praça apenas, mas o pedacinho só foi aumentando, e aumentando.

CC: Como o local é mantido?
MM: Tenho um mensalista que trabalha em casa e na praça, e vai sempre comigo fazer jardinagem de duas a três vezes por semana. Ele é aprendiz ainda, eu que ensino tudo e pago a diária dele para ir à praça. Há 15 anos, a maioria desse espaço era só de mato e capim. Eu planto bastante, e meu marido ajuda mais na limpeza.

 

CC: Quais os recursos disponíveis e como são captados?
MM: Uma vez ou outra, alguém da redondeza dá alguma coisa. As placas da praça foram feitas por seu Noel, morador local que doou as madeiras, e seu Ruy, outro morador, foi quem pintou. As mudas todas eu trago de casa. E já paguei um rapaz para fazer cerquinhas de garrafa pet.

CC: Por que a decisão de cuidar de uma área que é pública?
MM: Eu queria um espaço ecológico. Porque quando você viaja pelo mundo, em todo lugar há um parque imenso, uma praça enorme e bem cuidada para você usar. E em Salvador não tem. Então pensei em fazer um pra mim, para onde fazer caminhadas.

CC: Como é possível contribuir com o espaço?
MM: O espaço precisa de limpeza periódica, e de um projeto mais elaborado, com desenhos de cercas e mobílias. Também seria bom ter alguém que assumisse a captação de recursos e materiais, porque eu mesma fico mais focada na jardinagem.