O Significado do Berçário

{ Diário de Anna Marsh }

Você já tentou cortar a perna ou o braço e esperar um novo membro crescer? Duvido. Porque um simples ser humano só tem capacidade de se reproduzir de uma única maneira.

Mas plantas, por outro lado, podem produzir as proles tanto sexualmente (polinização) quanto sem a necessidade de um parceiro. Sem mudar nenhuma informação genética, as plantas propagam clones de uma maneira da qual os seres humanos só chegaram perto nos romances de ficção científica.

Semana passada, no berçário de mudas, passamos o tempo recolhendo os pequenos clones das mamães plantas, e mudando os bebês para suas próprias casas. Eventualmente, eles irão crescer tanto quanto sua respectiva mãe, gerando outra abundância de crianças. O que é maravilhoso nesse processo, que pode se dar na forma de broto, propagação vegetativa ou fragmentação, é que os descendentes continuamente tomam a forma de suas mães.

Uma das plantas com que trabalhamos, o manjericão, tem várias hastes menores ramificando-se da principal, que podem ser retiradas e plantadas por conta própria: fragmentação. Outra planta, a babosa, estende as raízes na horizontal propagando “filhotes” periféricos que podem ser cuidadosamente retirados do solo e plantados em seus próprios vasos. E finalmente, os lírios geram mudas que podem ser destacadas da mãe e plantadas em qualquer outro lugar.

Este tipo de reprodução estratégica também me lembra que num mundo de recursos não-renováveis que estão diminuindo diante de nossos olhos, plantas resistentes e produtivas (emparelhadas com o uso cuidadoso de terra e água) podem ser aproveitadas para sustentar o crescimento da população. A agricultura industrial opera na base de plantar uma única semente (muitas vezes geneticamente modificada), a colher a safra, e, em seguida, plantar uma nova semente de novo sem considerar como as plantas evoluíram para se reproduzir naturalmente — muito antes de nós entrarmos na cena.

Mas agora é hora de voltar às nossas raízes.

**Diário de Anna Marsh é uma proposta de registro da voluntária norte-americana Anna Marsh, de 18 anos, que através de uma bolsa da Universidade de Princeton para realizar serviço social no Brasil apoia os Canteiros Coletivos de outubro de 2015 a maio de 2016.

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Plantando Lirio

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Manjericão

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Babosa