Voluntária francesa inicia Mapeamento Afetivo de áreas verdes em Salvador

A partir da próxima semana, publicaremos uma série de quatro espaços verdes públicos recuperados, criados e geridos por moradores e moradoras da cidade de Salvador em diferentes pontos da cidade. Trata-se do início do Mapeamento Afetivo na capital baiana, com intuito de apresentar estratégias e soluções de uso coletivo do espaço público que podem inspirar você a reunir vizinhos e fazer o mesmo perto de casa ou do trabalho.

Quem nos ajudou a dar o pontapé inicial desse velho sonho foi a voluntária francesa Marie Paul, de 19 anos, que se despede da Bahia depois de três meses dedicada a conhecer projetos e organizações voltadas ao engajamento cívico em terras soteropolitanas. A ideia de mapear pontos verdes criados e cuidados por moradorxs é muito antiga, e sempre nos faltou recurso para botar pra frente. Mas enquanto esse financiamento maravilhoso não acontece, por que não aproveitarmos a energia maravilhosa de nossxs voluntárixs para mostrar que é possível? Conheça um pouco mais sobre Marie:

“O que a gente pode fazer quando percebe que o mundo é injusto? Sou Marie, tenho 19 anos, e vim de Rennes, na França, muito inquieta com essa pergunta. Por causa dela, decidi neste ano romper com minha vida cotidiana.

Estava cansada de toda a passividade das pessoas. Então, tomei um ano livre depois de encerrar o ensino médio e antes de entrar na faculdade. Um ano livre para descobrir respostas que existem em outro lugar, soluções que a gente encontra para fazer o mundo melhor. Assim, passei três meses em Salvador, no Nordeste do Brasil, país que atualmente vive uma grave crise de democracia, e onde o engajamento é então especialmente necessário.

Isso não é um projeto humanitário. Essa afirmação, para mim, seria ideologicamente muito delicada, pois institui frequentemente uma forma de neocolonialismo. E não estou no Brasil para impor uma visão europeia, e sim mas para me aproximar de alternativas locais e criar um elo entre os movimentos cidadãos de Salvador e de Rennes, minha cidade.

Encontrei muitas organizações soteropolitanas de diferentes tamanhos e diferentes formas de agir. Estive trabalhando com elas durante três meses, e dessa forma pude descobrir o que significava engajamento em Salvador. Enfim, graças aos artigos semanais que escrevo para o jornal independente francês Noctambule, pude transmitir essas diferentes lutas e iniciativas ao meu país de origem.”

Bacana, não é? Então acompanhe, a partir da próxima semana, essa pequena série de quatro áreas verdes apurada por Marie, que se aventurou pela cidade de Salvador para captar diferentes formas de soteropolitanos perceberem sua própria cidade.

Até!