PODAS DRÁSTICAS E CORTES DE ÁRVORES TOMAM A CIDADE DE SALVADOR

Nos últimos dias, os Canteiros Coletivos têm sido citados em comentários das redes sociais sobre cortes e podas drásticas de árvores na cidade de Salvador. Não se sabe bem qual foi o critério para a Prefeitura realizar ações como essa – geralmente o argumento é de que há pragas e doenças nas plantas -, mas já há denúncias de cortes programados na Barra, outros já feitos na Ladeira da Montanha. Há também comentários penosos sobre cortes e podas na Ribeira, e também foram feitas podas radicais no bairro Dois de Julho.

Chama a atenção uma imagem um tanto desastrosa na Avenida Contorno – que pôde ser conferida na caminhada da Lavagem do Bonfim -, de diversos morros cobertos por tapetes de grama seca, colocadas de qualquer jeito. Nas fotos abaixo é possível observar que a vegetação rasteira presente no morro nem ao menos foi retirada para a colocação da grama (o mato vaza dos buracos do tapete), e que todo esse material provavelmente ficará inutilizado, pois além da falta de cuidado na colocação, não há sistema de irrigação que o faça vencer o sol forte do verão da capital baiana. Parece, inclusive, não ser a grama ideal para esse local e clima.

Talvez a palavra “denúncia” seja a melhor forma para definir as manifestações de desespero dos internautas, já que em nenhum momento se falou em consulta pública para iniciar uma ação que provocaria tamanho impacto na vida dos soteropolitanos. Embora as podas já tenham sido definidas, até agora não foi aberta nenhuma discussão para a elaboração de um Plano de Arborização Urbana na cidade de Salvador.

Será que vamos seguir com o descaso apresentado nas recentes obras da Avenida Vasco da Gama, que retiraram árvores históricas para fazer calçamento, ou das obras da Avenida Paralela, que derrubaram áreas de preservação para construir condomínios de luxo, ou do Cabula, que perdeu também uma reserva florestal para a construção de um conjugado condomínio – shopping e cujos moradores se arrepiam só de pensar no quão ainda pior pode ficar o conhecido e caótico trânsito do bairro?

O movimento Canteiros Coletivos não foi criado para fazer petições, nem denúncias, nem correr atrás do Ministério Público. Sua função é fornecer tecnologias sociais a comunidades para que elas mesmas se sintam gestoras de suas ruas e, claro, para que se fortaleçam politicamente através de articulações entre lideranças de bairro, empresas privadas e prefeitura, afim de pensar conjuntamente em melhorias e projetos.  Mas faz parte da filosofia dos Canteiros compartilhar as angústias que rondam os moradores da cidade. Há sim desânimo e insatisfação com a gestão de nossas áreas verdes. Afinal, como moradores e como prefeitura, o que podemos fazer para melhorar essa situação? Vamos seguir tristes e passivos? Vamos exigir consultas públicas para cada decisão tomada pela prefeitura? Vamos pressionar a elaboração democrática e urgente do Plano de Arborização Urbana? Fica a reflexão.