Série: Histórias reais em tempos de isolamento

Nesse desafiador cenário de distanciamento social – e para o qual nosso país se mostra completamente despreparado -, temos visto depoimentos de lideranças comunitárias e estudiosos sobre os riscos das populações mais pobres. O novelo é complexo: um vírus mortal que se alastra facilmente exige que famílias de baixa renda, cujo almoço de cada dia vem de trabalhos informais e pequenos negócios, fiquem em casa por tempo indeterminado. E são elas justamente as mais vulneráveis, aglomeradas em pequenos cômodos, e muitas vezes sem acesso a saneamento básico. Segundo a apuração da @agenciapublica, cerca de 13 milhões de brasileiros vivem hoje em favelas, 35 milhões não têm acesso à água potável, e 95 milhões não têm coleta de esgoto em casa.

Neste exato momento, comunidades de diversas metrópoles do país estão sem água para poder se higienizar, e sem acesso a álcool em gel e outros itens de higiene indicados para a prevenção da Covid-19. Para sobreviver, milhares de pessoas continuam nas ruas, com risco de ser contaminadas e de contaminar famílias e idosos. Junto disso, estamos órfãos de uma liderança política que assuma medidas emergenciais para a preservação da vida humana garantindo alimento, higiene e fonte de renda aos mais pobres. Ao contrário, precisamos ainda alertar a população a não ouvir as afirmações irresponsáveis de um ser humano que ocupa a cadeira presidencial e minimiza a seriedade do coronavírus.

 

Desde o início da segunda edição do Escola Verde com Afeto, queríamos publicar histórias das comunidades em que atuamos, e seu papel na melhoria do bairro. Com essa nova realidade, sentimos a necessidade saber como essas pessoas estão lidando com esse cenário, seus enredos, suas necessidades, e suas soluções para um momento tão crítico. Queremos compartilhar depoimentos para juntos compreendermos as complexidades de nosso país. Junto disso, estamos divulgando uma lista com mais de 100 iniciativas de doação, arrecadação, criação de fundos emergenciais e mapeamentos temáticos apurada diariamente pela Ponte a Ponte, de São Paulo, para que potenciais doadores possam colaborar e ajudar a mitigar as trágicas previsões que nos assolam.

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O vírus somos nós (ou uma parte de nós).